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A política americana de produção de etanol a partir do milho está elevando os preços do grão em

todo o mundo, disse hoje José Graziano da Silva, diretor-geral da Organização das Nações Unidas

para a Agricultura e a Alimentação (FAO). "A FAO tem levantado sua voz contra o uso de alimentos

para produzir bioenergia", afirmou Graziano em uma reunião de cerca de 70 ministros da Agricultura

em Berlim. Este é, "especialmente", o caso do milho nos EUA e oleaginosas na Europa, disse ele.


A cotação do mercado futuro de milho fechou ontem a US$ 6,115 por bushel (o equivalente a 25,401

kg) no Chicago Board of Trade, quase o triplo dos US$ 2,1175 por bushel negociados uma década

atrás. Parte da produção de milho dos EUA é usada para fazer etanol, enquanto uma oleaginosa, a

colza, é usada na Europa para fazer biodiesel.


A produção de etanol de cana-de-açúcar no Brasil é responsável por 3% do uso da terra e, por

enquanto, não afeta o preço do açúcar nos mercados internacionais, de acordo com o diretor-geral

da FAO, que é brasileiro. "Terminamos um estudo entre os países latino-americanos e encontramos

apenas quatro países na região que poderiam expandir a produção de biocombustíveis sem afetar a

segurança alimentar", disse Graziano.

 

"Estes são Argentina, Brasil, Paraguai e Colômbia. Todos eles têm uma enorme quantidade de área

sob pastagens extensivas, que podem ser convertidas em terras muito boas para o uso de

biocombustível."

 

"A segurança alimentar está em primeiro lugar, esta é a regra", disse o chefe da FAO. "A posição que

temos agora na FAO é que os cereais não devem ser usados para a produção de biocombustíveis."

 

Com informações da Bloomberg.

Última atualização ( Seg, 23 de Janeiro de 2012 16:15 )